Idéia #4

A idéia é simples e busca solucionar o problema de entregar o mesmo conteúdo para diferentes tecnologias.

Uma das características da informação digitalizada é a visualização através de diferentes plataformas – computadores, tablets, smartphones, dispositivos de leitura (e-reader), etc. Embora seja viável, fazer o produto digital ser percebido da mesma maneira por todas não é uma equação simples. Cada plataforma possui características tecnológicas diferentes, tanto em hardware quanto em software. De hardware poderíamos apontar o tamanho da tela, resolução, cores, capacidade de processamento, memória, capacidade de armazenamento de dados, duração da bateria, inputs de interação (mouse, teclado, tela sensível ao toque), acesso à internet, qualidade do som, presença de câmera fotográfica e filmadora. De software as características mais influentes são sistema operacional, programas aplicativos, formatos de arquivo e linguagens de programação.

A combinação destes elementos em produtos é resultado de um mercado competitivo, em que as principais indústrias de informática disputam “pixel a pixel” para firmar suas bandeiras tecnológicas e ganhar a adesão de consumidores. Apenas para exemplificar os percalços desta pluralidade. Ano passado, a empresa Adobe, desenvolvedora do Flash, anunciou a descontinuidade dessa tecnologia, resultado, principalmente, da decisão da Apple de bloquear o Flash no iPhone e no iPad.

Essa estratificação significa, para o consumidor, ter que escolher de qual marca ele se tornará “refém” tecnológico, ou seja, dependente dos recursos que a empresa escolhida oferecer. Para o produtor, e aqui incluímos o designer, manter-se a par dos avanços desta indústria é fundamental, pois este é um mercado “em beta”, para citar expressão do meio, que se desenvolve muito rapidamente. Já para o hardware, a lei de Moore continua válida. A cada 18 meses aproximadamente os processadores dobram de velocidade mantendo o mesmo custo, empurrando a evolução dos computadores.

Para o editor, atender um mínimo de suportes mais usados já causa retrabalho devido a incompatibilidade descrita acima. Ainda esse mínimo é realmente restrito a usuários de tablets apple e android, ou seja, quem pode pagar por um desses produtos. Sublinhe-se que presenciamos, portanto, uma mudança na forma de consumo em que o leitor precisa fazer um investimento maior para ter acesso a esse conteúdo digital, enquanto no meio impresso, as despesas estavam concentradas na editora. Assunto para outro post.

Voltando à proposta, vejo que o problema está na dependência de aplicativos proprietários de cada uma dessas tecnologias. Há algum tempo acredito que o navegador de internet ainda é o melhor caminho para distribuir livros e revistas. Posso estar errado, mas tenho dois motivos para defende o navegador: (i) processa grande parte tecnologia popularmente disponível hoje, (ii) é muito mais compatível entre todas os dispositivos.

Quando refiro-me ao processar a tecnologia disponível, é um contraponto aos formatos específicos para publicações, como o EPUB ou o MOBI, que demoraram um bom tempo para “alcançar” os recursos tecnológicos do navegador. Mais uma vez o trabalho foi redobrado, pois não apenas o formato precisava ser desenvolvido, como o sistema operacional precisava ser capaz de processar grande parte dos recursos popularmente necessários (html5, ccs3, flash, javascript, php, python, ruby…). O segundo motivo tem relação com universalidade dos navegadores. Os principais deles estão tecnologicamente emparelhados. Se um deles ficar para trás, independente do suporte, vai perder espaço.

Pois bem, proponho que revistas e livros sejam publicadas pelo navegador por streaming e baseados em responsividade. Recentemente o NY Times e a ESPN lançaram dois ótimos exemplos do que poderia ser uma matéria responsiva. Se fosse apenas isso, o problema seria não ter acesso ao conteúdo offline. Acessar a revista ou livro sem estar conectado é importante para dar mobilidade ao leitor. Por exemplo, ler durante um vôo. A solução seria um aplicativo – este sim desenvolvido para cada tecnologia disponível – capaz de processar informação como um navegador e armazenar conteúdo para acesso offline.

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